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sexta-feira, 4 de março de 2016

No dia 20 de fevereiro foi ao ar esta cena pela Globo na novela Totalmente Demais. http://gshow.globo.com/novelas/totalmente-demais/ca...


No dia 20 de fevereiro foi ao ar esta cena pela Globo na novela Totalmente Demais.
(Cena 12)

Na nossa primeira análise do ano falaremos sobre o preconceito contra os homossexuais.

Para começar selecionei um artigo de Raphael Andrade publicado no Medium com o título: Até quando as novelas utilizarão o "gay pronto para consumo"?. Na qual ele comenta não só do personagem de Pablo Sanábio. Mas outros personagens que passaram pela nossa teledramaturgia. Vale a pena ler!
https://medium.com/@raphaelandrade/at%C3%A9-quando-as-novelas-utilizar%C3%A3o-o-gay-pronto-para-consumo-62d38ac0f7d3#.wy00e3yog

Apresentei esta matéria para não repeti-lo, pois no final sempre mostramos como o tema foi tratado em outras novelas. Vamos a análise!

Max (Pablo Sanábio) está andando com Ursão conversando normalmente e pega na mão de Ursão o qual recusa. Max pergunta surpreso "Você não quer andar de mãos dadas?" a resposta "Assim aqui na rua eu fico com vergonha." E Max rebate "Relaxa! Ursão, a gente tá no século vinte e um (XXI). Impossível que alguém ainda se incomode com isso."
Por que você disse isso Max?
Enquanto eles conversam eles passam por um grupo de rapazes. Um dos rapazes saí do grupo e pega uma pedra. E atinge Max nas costas. Max e Ursão se viram para trás e o grupo começa a provocação. "Que que é casal de Bichinhas (em tom de ironia). Machucou foi? " Outro rapaz "Essa raça tem que tudo é que ir por Inferno, sabia?" Ursão pede para Max e ir embora. Mas Max quer falar umas verdades para os rapazes.
Max, por que você não ouviu o Ursão?
Ursão foge e Max apanha sozinho de quatro rapazes.

(Cena 13)

Max continua sendo agredido e Rafael (Daniel Rocha) vê assim como o porteiro do prédio em frente. O porteiro chama a polícia e Rafael pega um galho de árvore para bater nos rapazes, mas o porteiro anuncia que a polícia está a caminho e os rapazes fogem. O Max levou tabefe, porrada e chute. Ai! Max se recusa a ir para o hospital. Rafael leva ele para o seu apartamento.

(Cena 16)

Rafael chama Lu (Julianne Trevisol) para ajudar o amigo. Rafael incentiva Max a ir na delegacia "Quando você estiver melhor eu vou levá-lo para a delegacia.Vamos dar queixa desses caras!" Max responde "Eu não me lembro da cara deles, estava escuro. Não vai dar em nada mesmo." Até pelo jeito de falar dá para sentir a dor do Max.  Após mais uma insistência de Rafael. Max reage "Eu sei, mas Ahhhhh! (Um grito agonizante. Seguido de uma fala chorosa.) Eu só quero esquecer." Vamos dar uma avançadinha... "Rafael, eu me enganei. Eu achei que o mundo todo era seguro para pessoas que nem eu. Eu fiquei tão acostumado com esse mundinho da moda que eu ... O que aconteceu hoje... Eu lembrei que tem muita intolerância, muito preconceito e muito ódio." Mais uma avançada. "Por que eu não posso andar de mãos dadas, igual a todo mundo? Eu não posso ter medo de andar na rua. Eu tenho o direito de ser feliz também." Rafael elogia Max e toca o sinal do recreio. (ahn?!) Desculpa e toca a campainha. A Lu e o Jamaica (Gabriel Reif) chegam para ajudar. E a Lu também insiste no fato de Max ir prestar queixa na delegacia. E Jamaica sugere de colocar o caso nas redes sociais. E para encerrar a frase da Lu. "Homofobia é crime!"

Sanábio fez uma ótima atuação. Mas o medo do Max não o permitiu ir a delegacia fazer a denúncia. Vamos as leis!

A Constituição Federal brasileira não cita a homofobia diretamente como um crime. Todavia, define como “objetivo fundamental da República” (art. 3º, IV) o de “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discriminação”.  É essencial ter consciência de que a homofobia está inclusa no item “outras formas de discriminação” sendo considerada crime de ódio e passível de punição.
Através da Lei Estadual 10.948/2001, o estado de São Paulo estabeleceu diferentes formas de punição a diversas atitudes discriminatórias relacionadas aos grupos de pessoas que tem manifestação sexual perseguida por homofóbicos e intolerantes. Atualmente está em tramitação no Congresso o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006 que tem como proposta a criminalização da discriminação gerada por diferentes identidades de gênero e orientação sexual.
Copiado de:
http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1039&Itemid=262

Todo o artigo três copiado da constituição. O artigo está inserido no Título I "Dos Princípios Fundamentais"

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm

Ficou claro que é um crime? Então concluo que o Max deveria ter denunciado. E espero que ele não tenha que passar por isso de novo para ir na delegacia. Infelizmente casos como este ainda ocorrem. Então reforço a frase "Homofobia é crime."

Nossa primeira análise foi sobre o racismo em:
http://fanficsenovelas.blogspot.com.br/2015/06/racismo.html
O racismo é outro tipo de preconceito e ainda ocorre. Vale a pena conferir!

Para finalizar um agradecimento a toda a equipe de Totalmente Demais especialmente para os autores Rosane Svartman e Paulo Halm pela cena. E pela belíssima atuação do ator Pablo Sanábio.

sábado, 18 de julho de 2015

Foto: Gshow No capítulo de 14 de julho o senador Caxias é assassinado em O Rei do Gado (Globo - 16:40) . Reveja a cena: http://gshow.gl...

Foto: Gshow
No capítulo de 14 de julho o senador Caxias é assassinado em O Rei do Gado (Globo - 16:40). Reveja a cena:
http://gshow.globo.com/novelas/o-rei-do-gado/videos/t/cenas/v/senador-caxias-e-assassinado/4321553/

O senador Caxias (Carlos Vereza) vinha caminhando com Regino (Jackson Antunes), Lupércio (Adenor de Souza), Formiga (Cosme dos Santos) e Fulgêncio. Quando Regino lhe faz uma pergunta: "O senador acredita que essa tal de lei do rito sumário e esse tal de novo imposto da terra. Vai resolver mesmo o problema da terra?" e o senador responde: " É claro que eu acredito Regino. Eu estou jogando todas as minhas esperanças nisso." Regino faz outra indagação: "E a justiça vai fazer cumprir essas leis senador?" Resposta: " Vai Regino! Vai! Porque se a justiça não cumprir ela vai ter que responder perante a história não só pelo o que acontece aqui, mas por cada canto desse país onde se disputam pedaço de terra para se plantar alguma coisa." E o sem-terra afirma: "Eu não apostaria nisso senador." O senador ri e diz: "Mas eu aposto. Eu aposto amigo Regino. Eu aposto a minha vida nisso. Eu aposto a minha própria vida nisso amigo Regino. Eu aposto nisso... A minha própria vida Regino. A minha própria vida!"

Enquanto o senador dizia que apostava a vida. Ele desabotoa o terno e retira um lenço branco e enxuga o suor do seu rosto. Podemos ler a cena como um senador que lutou muito por uma causa e se cansou, porém não desistiu de lutar pela paz e afirma quatro vezes que aposta a própria vida. Ele não afirma três vezes ele afirma quatro para deixar bem claro que ele acredita naquilo que lutou a vida inteira. 

Como o próprio senador diz no começo da cena:"Os jovens não precisam de cartilha para mudar o mundo. Alguns até envelhecem e continuam querendo mudar o mundo. Porque dentro deles eles sentem que jamais envelheceram."

Após o senador apostar na própria vida começam os disparos. E um acerta. Fica um suspense de alguns segundos. Quem foi atingido o líder de um grupo de sem-terras Regino ou o senador Roberto Caxias? Os dois fitam a árvore, símbolo da vida, na qual um vento sopra sobre suas folhas aonde se produz uma música triste. O atingido foi o senador. Regino fica desnorteado. Nesse instante aparecem outros dois sem-terra e correm para o local onde estão Regino e Caxias.

Então Caxias faz seu último pedido a Regino: "Não deixa que essa morte minha seja em vão. [...] Paz! Paz! [...] A cada movimento de violência. Eu te peço! Meu irmão pelo amor de Deus! Responde com paz! Paz! Paz! O senador falece nos braços de Regino e pombas brancas aparecem voando pelo local.

Os outros sem-terras se aproximam e Regino confirma que o senador está morto. Um dos sem-terras propõe de pegar o assassino e Regino pede que não o faça. De volta ao acampamento sem-terra Regino abaixa a bandeira em sinal de luto. 

O que é a lei do Rito Sumário e o Novo Imposto da Terra?

A lei do Rito Sumário trata-se da Lei 9245 de 26 de dezembro de 1995.
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9245.htm
A qual surge para modificar alguns artigos da Lei 5869 de 11 de janeiro de 1973.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm
Os artigos referentes ao Capitulo III - Do procedimento sumário inserido no Título VII - Do processo e do procedimento.
Ela viria a facilitar para a contestação da posse de terra.

O Novo Imposto da Terra é uma correção do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) na lei 9393 de 19 de dezembro de 1996.
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9393.htm

O Rei do Gado & Política

A partir da primeira exibição da novela em 1996 a pesquisadora Esther Hamburger que escolheu a novela como objeto de estudo mostrando a sua interferência na política brasileira. Ela destaca a luta pela reforma agrária com personagens representando o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e um personagem representando um senador honesto o qual defendia a reforma agrária.

Este senador assim como a novela ganhou espaço nos jornais na secção de política e nos editoriais. O senador Darcy Ribeiro dedicou duas de suas colunas no Jornal Folha de São Paulo para o senador Roberto Caxias.

Em sua coluna do dia 20 de janeiro de 1997 o senador Darcy Ribeiro fala sobre a morte do senador Caxias. A primeira coluna destinada ao personagem foi de 25 de novembro de 1996 na qual Ribeiro saúda Caxias pela luta em favor a reforma agrária.

Esta interação entre o personagem e o Congresso Nacional causou certo desconforto, alguns congressista não viam problema, mas outros descordavam com a maneira na qual o Congresso e os políticos estavam representados na novela.

O artigo da pesquisadora Esther Hamburger se encontra na seguinte referência: HAMBURGER, Esther. Política e Novela. In: BUCCI, Eugênio. A TV aos 50: Criticando a TV brasileira em seu cinquentenário. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2000, p.33.

Apesar da novela está sendo reprisada toda a sua equipe merece os parabéns pela cena da morte construída de maneira condizente à repercussão do personagem o senador Roberto Caxias. 

domingo, 21 de junho de 2015

Imagem copiada de Google imagens No capítulo de 11 de junho vídeo/cena 12 Fanny explica para Angel como funciona o book rosa em Verdades...

Imagem copiada de Google imagens
No capítulo de 11 de junho vídeo/cena 12 Fanny explica para Angel como funciona o book rosa em Verdades Secretas (Globo - 23:10)

http://gshow.globo.com/novelas/verdades-secretas/capitulo/2015/6/11/fanny-revela-angel-como-funciona-o-book-rosa.html

Fanny (Marieta Severo) chama Angel (Camila Queiroz) para conversar. É o primeiro trabalho da menina a qual ela juntamente com Larissa (Grazy Massafera) são recepcionistas de um evento. Ao encontrar Fanny a primeira coisa que ela pergunta é: "Fiz alguma coisa de errado?".

Olhando para uma janela Fanny nega e complementa já olhando para Angel: "Mas você pode me deixar feliz." Com um discurso todo maternal ela começa explicando que a moça está em início de carreira e que ela [Fanny] está lá para ensiná-la e pergunta: "Você sabe o que é o book rosa?" Resposta da Angel: " Um livro cor de rosa".

Então Fanny começa a explicar: "Não é bem isso. A agência vive dos clientes são eles que tornam tudo possível. Incluindo a sua carreira." "Tem agências que não fazem questão de agradar o cliente em tudo, mas eu faço questão de agradar. Aqui na Fanny Models quando um cliente faz um pedido. Mesmo que seja um pedido muito especial. Eu atendo. "

Quando Fanny diz isso ela trata de convencer Angel a entrar para o book rosa e que ela está numa agência séria. Só que Angel não está.

Prosseguindo com a explicação de Fanny: "Mas a questão agora, aqui é o book rosa." "O trabalho da modelo é o trabalho de modelo. Não são todas as agências não. Mas algumas, poucas. Como a Fanny Models desenvolve um trabalho especial chamado de book rosa ou ficha rosa."

Mais uma vez Fanny se encarrega de dizer a Angel que ela está em uma agência séria e diferenciada para o melhor de suas modelos. Só que não.

Continuando: "As modelos que fazem esse tipo de trabalho. Mesmo assim em início de carreira. Ganham muito mais dinheiro." Agora Angel faz a pergunta que todos queríamos ouvir: "Que tipo de trabalho é esse?" Resposta: "Além dos eventos e dos desfiles. A modelo acompanha o executivo pra algo mais." Angel: "Algo mais?" Fanny explica que se trata de um jantar e ... "Eu não vou mentir. Depois tem o algo mais a dois."

Mais uma vez Fanny trata de ser a mãezona. Até então Angel ouve tudo atentamente. Neste momento ela traz à tona sua personalidade. Sendo mais incisiva nas suas falas.

Angel afirma: "Eu não sou garota de programa." Fanny: "Mas quem está dizendo isso? Pelo amor de deus. É claro que você não é. Nem nunca será. Você é uma modelo da minha agência. Mesmo que aconteça tudo entre vocês. E vai acontecer." "Não se fala em dinheiro " "É tudo pela agência." Neste momento Fanny fala em quanto seria o cachê, pra quando vai com o book rosa, menos a comissão da agência e impostos. Angel se recusa.

Até então a cena se passa num salão vazio e as duas andam calmamente pelo espaço. A partir de agora elas caminham mais rápido. As falas são mais rápidos. A sonoplastia também.

Angel vai dando desculpas. Namorado, mãe... E Fanny rebatendo. Por fim ela pede pra menina pensar com calma e finaliza: "Se você não quiser fazer. Você não faz. Não tem o menor problema."
Fanny volta pro evento encontra com Anthony (Reynaldo Gianecchini), Larissa e Visky (Rainer Cadete). Nervosa e diz " A essa altura da vida ter que convencer garota pobrinha a ganhar uma grana."

O objetivo era analisar só a cena sete, mas para dar o desfecho...

A partir de então Anthony, Larissa e Visky vão tentar convencer Angel a fazer o book rosa. E Lyris (Jéssica Cores) outra modelo diz que não faz.

Vídeo/Cena 14 (mesmo link)

A partir desse momento Angel, decidida, vai até Fanny e reafirma que não fará, pois Lyris também não faz. E Fanny responde: " A Lyris?! A Lyris faz parte da cota" "A cota racial. Toda a agência tem que ter uma modelo negra pra desfilar." E no final Fanny pergunta: "Você vai ajudar ou vai dar as costas pra sua família." Angel: "Eu vou ajudar".

Por fim, no meio do jantar Angel foge.

Mas o book rosa existe?

Segundo o dono da agência Mega Model, Eli Hadid, em entrevista para a revista Marie Claire: " (...) 'Eu não conheço nenhuma modelo que já disse ter recebido convite. E qualquer outra coisa do tipo precisa ser denunciada.' (...)"

http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2015/06/propostas-de-book-rosa-partem-de-dentro-das-agencias-diz-top-sobre-tema-abordado-em-verdades-secretas.html

Segundo a modelo Ana Paula Ambrósio em entrevista para o mesmo portal : " (...) 'Este mundo existe, mas eu nunca participei. Em todas as profissões tem pessoas corruptas. Isso faz parte deste mundo e estão retratando [em Verdades Secretas].' Alessandra aconselha: 'é bom abrir os olhos das meninas que estão querendo ser modelo. Meu agente é um dos caras mais sérios do país e quem me trouxe lá do Sul, então sempre procure tratar com pessoas sérias.' "

http://moda.terra.com.br/verdades-secretas-book-rosa-drogas-e-arapucas-sao-verdade,e536fe5aa36694572d22a4eec18ed4bdz1pmRCRD.html

A novela vem a denunciar essas práticas. Justamente para quem almeja ser modelo não entre em agências erradas. Não caia em armadilhas como o tráfico de mulheres denunciado em Belíssima (Globo - 2005/2006) e Salve Jorge (Globo - 2012/2013). E nem no book rosa que não tem vínculo nenhum com agências de modelos e incluem mulheres de outras profissões como por exemplo a personagem Danny Bond (Paola Oliveira) de Felizes para sempre? (Globo - 2015).

Matérias recomendadas:

Chic - Glória Kalil: http://chic.uol.com.br/alo-chics/noticia/book-rosa

Marie Claire: http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2015/06/propostas-de-book-rosa-partem-de-dentro-das-agencias-diz-top-sobre-tema-abordado-em-verdades-secretas.html

Moda - Terra: http://moda.terra.com.br/verdades-secretas-book-rosa-drogas-e-arapucas-sao-verdade,e536fe5aa36694572d22a4eec18ed4bdz1pmRCRD.html

Sobre a carreira de modelo:
Profissão Repórter - 16/6 :http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2015/06/novas-modelos-deixam-familias-em-busca-do-sonho-das-passarelas.html

Por fim gostaria de parabenizar a produção e a direção de Verdades Secretas. Especialmente ao autor Walcyr Carrasco e seus colaboradores por escrever uma novela dinâmica e inovadora.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Foto: Gshow No dia 30 de maio foi ao ar esta cena na novela Babilônia (Globo - 21:10) : http://gshow.globo.com/novelas/babilonia/video...

Foto: Gshow
No dia 30 de maio foi ao ar esta cena na novela Babilônia (Globo - 21:10):

http://gshow.globo.com/novelas/babilonia/videos/t/cenas/v/regina-e-julia-falam-sobre-preconceito/4219427/?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_content=entretenimento&utm_campaign=Babilonia

Regina (Camila Pitanga) comenta com a sua mãe, Dora (Virginia Rosa), que sua filha, Júlia (Sabrina Nonata), está estranha e vai averiguar o porquê.
Juju conta a mãe que está triste pois a menina na escola lhe disse "que seu cabelo é ruim" a mãe tenta contornar dizendo que a menina sentia inveja e Juju rebate Inveja por que? O cabelo dela é liso". Neste momento Regina fita o chão. O que expressa a preocupação da mãe em relação ao preconceito sofrido pela filha e pior a baixa-estima da filha pela menina ter dito: " inveja por que? o cabelo dela é liso".
E agora como explicar isso para uma criança?Como explicar a uma criança sobre o preconceito racial? E que ser afrodescendente é tão bonito como ser de qualquer outra etnia. E mais que isso sentir orgulho de si e de como você é.
Então Regina justifica como uma longa história de luta.
Nesse momento lembrei da novela Lado a Lado na qual mostra algumas situações das quais passaram os ex-escravos após a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República.
Voltando a cena ... Regina explica para filha que: "hoje existe até uma lei contra essas besteiras de gente que fala mal do nosso cabelo, da nossa cor de pele" e explica que se a menina não fosse uma criança poderia até ser presa. Juju rebate de novo :" outro dia lá perto da escola a moça disse que o homem foi preso, mas ele não fez nada. A polícia levou ele só porque ele era negro."
Como confiar na lei se os homens da lei também cometem preconceitos?
Mais uma vez Regina fita o chão. Concorda com a filha que o preconceito ainda ocorre e incentiva a menina a ser corajosa e denunciar/falar quando acontecer. E começa a dar exemplos de pessoas próximas da menina que são corajosas e que se orgulham de serem o que são, ela cita Paula (Sheron Menezzes) e Tadeu (Cesar Mello).
E por fim ela coloca a filha em frente ao espelho e mostra o quanto Juju é linda e mais faz a menina reconhecer isso para incentivar a auto-estima da menina.

Qual é a lei citada por Regina?

Trata-se da lei nº 7.716 de 5 de junho de 1989 a qual define os crimes resultantes de raça ou de cor.

" Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional." 
A lei completa assim como suas modificações pode ser lida em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm

Isso realmente ocorre nas escolas ou somente na novela?

Infelizmente ainda ocorre. As crianças repassam espontaneamente o que elas ouvem dos adultos. Por isso é importantíssimo o papel da escola e dos professores em explicar e fazer com que os estudantes e seus pais apreendam seus direitos e deveres, as consequências de seus atos. E como isso ocorre e ocorreu. Explicar a longa história a qual Regina se refere e analisar a lei 7.716.

E qual é essa longa história?

No século XV os portugueses ultrapassaram os limites da Europa e foram explorar o mar. E a primeira terra a qual ancoraram foi na Costa da África. Estabeleceram ali feitorias as quais eram responsáveis pelo escambo (troca de mercadorias) com os nativos. Em 1500 encontram o Brasil e também instalam suas feitorias. Após a invasão dos franceses o rei português é obrigado a colonizar o Brasil para expulsar os franceses. 
O Brasil terra de povos nômades ainda tem locais de matas fechadas uma realidade muito distante da europeia. Portanto colonizar não é só explorar as terras é também "europeizar" as terras. E quem vai explorar e transformar as matas fechadas em fazendas. Principalmente fazendas e engenhos para a produção de açúcar, especiaria muitíssima apreciada pelos europeus. Quem fará isso?
Os povos nômades da América, o qual não sabe a língua e os mesmos não tem o costume de se fixar em um local. Ou os povos africanos escravizados por outros povos africanos?
Como?
Sim. Os povos africanos guerreavam entre si e o povo perdedor se tornava escravo do povo ganhador. Portanto os portugueses somente negociavam com os povos africanos os escravos deles. E os transportavam para a Europa e a América para serem escravos.
E durante séculos os portugueses transportaram africanos pelo Atlântico para estes trabalharem e serem tratados como animais em fazendas e casas.
E para justificar a escravidão dos africanos e "proteger" os americanos (tanto os povos nômades do sul quando os sedentários do norte e dos Andes) os jesuítas (padres) diziam que os africanos eram descendentes de Cam e como camitas estavam predestinados a maldição.
Então além de serem vistos como animais e escravos os africanos também passaram a serem vistos como malditos.

E quando finalmente acabou a escravidão (perante a lei) em 1888. Quando a princesa Isabel assina a Lei Áurea que por fim a Escravatura. O que acontece com os africanos que aqui foram escravizados e com seus descendentes que também foram?
Alguns fazendeiros passaram a pagar um salário para seus ex-escravos. Outros os expulsaram. Os africanos e afrodescendentes ficaram sem ofício e sem moradia. Então passaram a sobreviver perante as condições precárias as quais foram submetidos.

Um resumo da história, porém não justifica como os afrodescendentes são tratos hoje. Cerca de 137 anos depois da Abolição da Escravatura.

Por fim queria parabenizar o autor Gilberto Braga e seus colaboradores pela cena. Pois ela não trata apenas do racismo, mas como isso atinge e é absorvido pelas crianças e as levam a baixa-estima e a falta de confiança. 


 
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