Em algum lugar do Brasil...
— Cinara, você tem certeza que é aqui?
— Tenho. Foi o endereço que minha vó me deu. — Um rapaz aparece:
— Boa tarde! A senhorita deve ser a Cinara. Me sigam, por favor! — Cinara e Palhares seguem o rapaz. Ele abre a porta de um escritório. — Fiquem a vontade!
— Obrigado.
— A madame já vem. — O rapaz fecha a porta e some.
— Cinara, isso está muito estranho.
Na Rádio Estrela do Cerrado...
— Boa tarde! Bom retorno! Eu sou a Lorena Prado e vou acompanhar vocês nesta tarde. Mande uma mensagem aqui para rádio e peça a sua música favorita. O programa A Favorita é um oferecimento da Pecuária Gomes. E a mais pedida de ontem foi: Seu Amor é Minha Estrada de Agrado Garcia e João Raul.
No Zuzanete...
— Ela é boa locutora.
— Zeca, ser locutor de rádio está no sangue dos Palhares Leite. Você não percebe pela voz do Renan.
— Lilly, você tem razão. Ah! Arrumei uma moça para conversar no Sapeca. — Ele mostra o celular.
— A Amelinha prima da Irene. Ela trabalhava lá na fazenda. Eu ensinei ela a falar francês. E não é que ela foi para França. Trabalhou num restaurante e ficou por muitos anos lá. Voltou para cuidar da mãe que estava com Parkinson. A mãe faleceu, passou uns meses ela foi trabalhar para a Zilá e a última notícia que tive dela. Ela estava trabalhando em um restaurante em Brasília. Ela parece entojada, mas tem um bom coração.
— Ah! Por isso a Irene falou para tomar cuidado com ela.
— Ela foi muito machucada. O ex-marido dela não deixou ela ficar com a guarda do filho. — Zeca senta para ouvir a história. — A Amelinha é prima da Irene e da mãe do Gael. E as três são muito parecidas. A Irene é a mais nova das três. A mãe do Gael e a Amélia tem 1 ano de diferença. A mãe delas são gêmeas. A mãe do Gael casou com o Sebastião. E a Amélia com o irmão gêmeo dele o Salomão.
O Salomão era administrador da fazenda. O homem de confiança do meu avô. Mas muito ambicioso. Quando meu avô faleceu ele divorciou da Amélia. Mandou ela para França e ficou com a guarda do Iago.
— Aquele primo que é a cara do Gael.
— Ele mesmo. Aí o Salomão disse que a Amelinha tinha enganado ele. E mais umas lorotas. E conquistou minha tia Alma.
— A que tem a pensão em Bem querer?
— Não. Essa é minha tia Adriana irmã do pai Alaor.
— A tia Alma ela herdou uma fazenda do meu avô na região do Araguaia.
— Ela é irmã das suas mães.
— Exato. Tia Alma e o Salomão tiveram um filho o Samuel. Ele é três anos mais novo que o Iago e o Gael. Ela tratava o Iago muito bem, mas não como um filho. Quando ela faleceu deixou um carro para o Iago, um para o Salomão e o resto para o Samuel.
— O Iago pegou o carro dele e foi tentar ser peão de rodeio. E conseguiu. Ele compete na liga Nacional faz dois anos. E o Salomão ajuda o Samuel com a fazenda.
— E o Iago fala com a Amelinha?
— Fala, mas ele acha que a mãe abandonou ele. — Iago que ouvia tudo do alto da escada desce correndo:
— Minha mãe não me abandonou?
— Não, Iago. Seu pai não deu autorização para ela te levar para a França.
— Alma me tratava bem, mas não foi uma mãe para mim. Ela dizia que eu tinha uma mãe e que uma mãe sempre entrega o melhor para o filho. A tia Irene me dava os presentes que minha mãe mandava e falava para dizer que foi ela que deu. Meu pai me enganou? — Os três ficam em silêncio.
Em algum lugar do Brasil...
— Cinara!
— Mãe! — As duas se abraçam.
— Me perdoa por te deixar com a sua avó. Mas não dava para te criar nesse ambiente.
— Te perdôo. Mas por que você não saiu daqui?
— Se eu fizesse isso o Giancarlo e a Verônica me matavam. Esse lugar era a fachada para lavar o dinheiro do tráfico de animais selvagens. Eu não sei o que eles fariam com você... Eu preciso me entregar para a polícia. Mas eu tenho medo do que eles podem fazer com você.
— Eles estão presos.
— Nem todos...
Na rádio Estrela do Cerrado...
— Esse foi mais um: A Favorita. Fiquem agora com o seu jornal vespertino! Te espero no nosso programa noturno: O Brilho da Cerrado. Até mais! — Toca a vinheta e Íris sai do estúdio. — Ricardo, o Palhares não está demorando?
— Ele pediu a tarde de folga.
— Eu tenho medo de matarem ele e a namorada.
— No que eles se meteram. Eles em nada. Mas mãe dela...
No Zuzanete...
— Boa tarde! — Renan aperta a mão de Zeca e Iago. E abraça a mãe. — Mãe, o João Raul pegou cinco peixes. Eu só consegui um.
— Filho, pescar exige paciência. Seu avô que gosta de pescar.
— O João Raul nos convidou para jantar lá hoje.
— Vai lá na Vilma e encomenda seu bolo favorito.
— Está bem. — Ele sai correndo.
— Não vai pedir pra ele não correr?
— Iago, ele já sabe levantar depois de cair. E não chora mais por um arranhão. Ele já chega me pedindo o remédio por que caiu. Ele cresceu rápido de mais. Igual o irmão. Acho que tá na hora de arrumar outro.
Horas depois
No apartamento de Agrado e João Raul...
— Sejam bem vindos!
— Obrigada, Agrado. Trouxemos um bolo.
— Não precisava. Sentem! — Lilly e Renan se sentam. Mas já estavam presentes Nayane, Gael, Duda, Leandro, Laurinha, Esteban, Manuzinha, Malvino, Alana e lógico Agrado, João Raul, Bagunça, Resistência e Patricinha. — Falta uma pessoa e já jantamos. Nayane pergunta:
— Quem?
Continua...





