No apartamento de Agrado...
Ficam no apartamento Valmir, Irene, Agrado, João Raul, Rena e Lilly. Irene pergunta:
— Lilly, por que você não teve o João Raul nos Estados Unidos?
— Irene, eu fiquei com medo. De acontecer alguma coisa e eu não poder trazê-lo para o Brasil.
— Que coisa?
— O John era engenheiro de uma equipe da Nascar e por muitas vezes ele mesmo testava os carros. Logo no início do nosso casamento ele sofreu um acidente. E lá é cada adulto por si. Eu pensei que tendo o filho aqui minha mãe me ajudaria.
— Mas como você conheceu o John?
— Eu fui para os Estados Unidos para fazer intercâmbio. E próximo do curso tinha uma universidade. E eu sempre cruzava com o John na rua. Um dia estava chovendo muito e me abriguei no mercado. E fiquei passeando por entre as prateleiras fingindo que ia comprar alguma coisa, mas tava só esperando a chuva passar. Então ele me perguntou em inglês:
— Não vai comprar nada?
— Estou vendo os preços primeiro.
— Você não é americana, né?
— Não sou.
— Você pode esperar a chuva passar. Não quer tomar um café daquela máquina?
— Aceito. — Os dois vão até a máquina. Ele pega dois cafés. — Obrigada.
— Fazendo intercâmbio?
— Sim. Meu sonho é ser cantora.
— O meu é ser piloto do automobilismo. Eu vou assistir uma corrida amanhã, quer ir comigo.
— Quero. — Ela continua narrando a história. — Sim. Irene, eu não devia aceitar assim. Mas além de ele ser lindo. Ele era mais bonito que o João Raul. — João Raul:
— Vô Jonah disse que eu era igualzinho meu pai.
— Sim, mas ele era mais bonito. Pelo menos aos meus olhos. Nós fomos nessa corrida. E no final ele conseguiu falar com o dono de uma equipe. Duas semanas depois ele estava fazendo estágio naquela equipe e estávamos namorando. Eu pedi para fazer faculdade de administração nos Estados Unidos e consegui.
Ele terminou o estágio. Virou engenheiro da equipe. E um ano depois nos casamos. E logo eu fiquei grávida. A família dele morava do outro lado do país. O pai dele é dono de uma gravadora. Eu vim para o Brasil ter o João Raul. Ele ficou muito preocupado, mas concordou.
O João Raul nasceu. Minha mãe não deixou eu ficar com ele. E mandei uma carta para John. Ele me disse que viria para resolver. Mas ele sofreu um acidente gravíssimo testando um carro. Minha sogra me mandou telegrama, carta, sms, e-mail enfim. Ela não queria que a informação se perdesse. Depois ele faleceu perguntando pelo filho.
Meses depois meus sogros vieram para o Brasil para me ajudar a resolver a situação. Mas o Ruaney e a esposa tinham registrado o João Raul como filho deles. E depois o Valmir. Como ia provar que o menino era meu filho com três registros de nascimento?
Meu sogro, meu pai e os advogados estudaram todas as possibilidades. Não encontramos solução. — João Raul:
— Mãe, você disse que meu avós não sabiam que você tinha me abandonado.
— Eles souberam depois e não houve nada que eles pudessem fazer. Como ia te explicar isso naquele dia?
— Por isso no dia do DNA o vô Jonah mal conseguia falar. Eu quero falar mais com ele. Vamos vê-lo, logo!
— Vamos!
No outro dia
Na rádio Estrela do Cerrado...
— Bom dia! Bom retorno! Aqui é Palhares Leite e começamos o programa com uma notícia triste. Esta noite um carro se chocou com um caminhão na rodovia que liga Goiânia a Bom Retorno. Os dois integrantes do carro faleceram no acidente. Mais notícias ao longo da programação. Vamos ouvir Menino da Porteira na voz de Daniel.
Continua...


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