Terezópolis de Goiás
2003...
— É um menino!
— Mãe, ele é lindo.
— Lilly, você não pode ficar com ele.
— Por quê?
— Tudo o que seu pai demorou anos para construir vai por água baixo se você tiver um filho fora do casamento.
— Eu e o John casamos.
— Em Las Vegas? Com um mecânico de corrida?
— Engenheiro mecânico da NASCAR.
— Nós vamos doar esse menino. Se prepare.
No dia Seguinte
Em uma cidade próxima de Bom Retorno...
— Você é meu filho. Mas infelizmente seus avós não deixam eu ficar com você. Não vou deixar você lá longe. Você vai ficar perto da minha vista. Já que eu não posso lhe ter. Eu quero pelo menos te ver. Fica com essa pulseira que seu pai te deu. Se um dia você quiser me achar... — Lilly deixa João Raul na porta de Walmir.
Três semanas depois...
— Walmir, como você está cuidando desse menino.
— Padre, você acredita que a mãe dele deixa leite na porta todos os dias.
— Ela não quis abandoná-lo. Cuide do garoto. Vamos marcar o batizado?
2026
Bom Retorno...
— Bara, eu não consigo dormir.
— Sabe o que minha mãe falava. Começa uma faxina que dá sono. Minha avó mandava eu contar carneirinho. João Raul, eu estou com sono. Boa noite!
— Boa noite! — Bara saí do quarto. João Raul fala sozinho. — Faxina?! Vamos ver o que tem nessa cômoda. Uma caixa rosa? — Ele abre a caixa. Encontra um album de fotos. — Essa aqui é a tia da Naiane. Foto de um casamento esse rapaz me parece conhecido. Foto dela grávida. Naiane não falou que tinha primos. Essa daqui: "Lilly and John 3 years." Carros da Nascar. "NASCAR 2002". Eu nem era nascido. As fotos do bebê. Lindinho! Ê João Raul, tá querendo ser pai? Um telegrama. Tá em inglês. Será que a inteligência artificial sabe traduzir. — A IA traduz:
— Na última corrida ele sofreu um acidente e faleceu. Venham logo você e o bebê! Suzan. — Walcyr entra no quarto.
— Tá falando com quem?
— Pai, é a IA. Eu achei essa caixa é da tia da Naiane.
— Esse bebê é a Naiane. Não é o primo ou prima dela.
— Amanhã eu vou lá na mansão e entrego a caixa.
No dia seguinte
Na Mansão Amaral...
— Seu Walmyr, a dona Lilly mora na pensão Meketrefe. Ela é muito boa. Ela vai saber recompensar o senhor.
Na pensão Meketrefe...
— Boa tarde! Eu estou procurando dona Liliane Amaral.
— Espera ali naquela mesa que vou chamá-la. — Zeca diz. Passa uns minutos e ela chega.
— Boa tarde! Em que posso ajudá-lo?
— Eu sou Walmyr pai do João Raul.
— O cantor?
— Ele mesmo. Nós compramos a casa que era do seu Alaor e encontramos essa caixa.
— Eu fiquei tão brava com meu pai. Que deixei muita coisa pra trás. Muito obrigada por trazer. Aceita um lanche?
— Aceito.
— Zeca, por favor, trás dois mistos quente, dois pedaços daquele bolo e dois sucos!
— Posso ser indiscreto?
— Pode.
— Esse bebê da foto parece o João Raul.
— É o João Raul. Eu nunca tirei os olhos dele.
— E por quê...
— O senhor conheceu meu pai. Eu casei nos Estados Unidos sem ele ver. Aparecer grávida... ia acabar com os negócios.
— Você pretende contar para o João Raul?
— Agora que ele tá rico e famoso? Não. Ele está bem com o senhor. O senhor foi um excelente pai. Olha! Se... Se... Ele quiser me conhecer. O senhor traz ele aqui.
— Qual nome você deu pra ele?
— John Reed Junior.
— J R ?
— O nome do pai. A pulseira era dele. A minha é essa. — Ela mostra uma pulseira igual com as iniciais "L. A.". Zeca traz o lanche.
— Eu sinto muito por ele.
— Eu morei um tempo naquela casa que o João Raul comprou. Mas meu pai nunca apoiou os meus sonhos.
— Quais eram?
— Ser cantora ou mecânica.
— Mecânica?!
— Sim. A oficina aqui do lado é minha.
— E a senhora casou de novo.
— Casei com aquele narrador da rádio que ficou no lugar do Ruaney.
— Nossa o que fez dez anos da morte dele?
— Ele mesmo.
— Sinto muito. De novo.
— Eu tive um filho com ele. O Renan. — Ela mostra uma foto do menino para Walcyr.
— Ele parece com o João Raul pequeno.
— Tem 13 anos e sabe qual é o sonho dele?
— Ser cantor.
— Conhecer o João Raul.
— Vamos realizar esse sonho.
No dia seguinte
Na oficina mecânica...
— Boa tarde!
— João!
— Você é o Renan?
— Eu mesmo. Posso lhe dar um abraço?
— Claro! — Os dois se abraçam. Lilly chora.
Na noite da Canta Centro-oeste...
— Mãe babona!
— Zeca, ele não pode sonhar com isso. Aquela moça é a Diana que ele procura. Os dois formam um lindo casal.
— E você? Quando vai cantar com eles?
— Quando eu terminar minha música.
— Você já escreveu tantas músicas.
— Mas tem uma que não consigo terminar. Os dois são tão lindinhos. Ih! Lá vem a confusão.
— Vem pro lado de cá. Que eu vou resolver isso. — Eles trocam de lado no balcão.


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