Duas semanas depois...
No Zuzanete...
— Jacutinga, o que você deseja?
— João Raul, a música que compomos naquele dia. — João Raul escuta a música.
— Jacutinga, ficou muito boa! Eu não imaginei que você fazia música romântica. — Palhares que também ouviu a música diz:
— Essa música serve para tema de novela. Vocês não querem lançar pelo Romântica?
— Palhares, eu sou sócio majoritário da Ruaney Music, mas se não fosse... não negaria seu convite.
— Jacutinga, você é sócio do Ruaney?
— Mais que isso! Eu sou o irmão mais velho dele. Eu fui fazer teste para cantor, mas na hora eu travei e comecei a falar igual narrador de rodeio. — Ele muda a entonação como se tivesse narrando um rodeio. — "Toda vez que eu viajava... pela estrada de Ouro Fino. De longe... de longe eu avistava a figura de um menino. Que corria, abria a porteira, depois vinha me pedindo... Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindoooo"¹ — Ele muda a voz de novo. — E foi assim que virei narrador de rodeio.
— E como você virou compositor?
— Nos anos 2000 o sertanejo voltou as paradas de sucesso. E começaram a me pedir paródias daquelas músicas para campanha de candidatos políticos daqui da região. Nisso um cantor que gravou um dos jingles me pediu uma música para uma serenata que ele ia fazer. Daí não parei mais.
— Quantas composições você tem?
— Entre Jacutinga, Zé Sofrência e Cefas eu tenho mais de trezentas composições.
— Você tem três pseudônimos?
— Sim. Se não fico restrito só a um nicho musical.
— As músicas do Reginaldo e seu teclados são todas do Zé Sofrência.
— Jacutinga, você é muito gênio. — Lilly entra:
— Boa tarde!
— Mãe, olha essa música! — Ele coloca a música para ela ouvir. Palhares e Jacutinga trocam olhares assustados porque João Raul a chamou de mãe.
— Esta muito boa. O Pedro conseguiu trazer seus verdadeiros sentimentos. Ainda está com raiva?
— Não mais...
— Posso falar como sócio do Ruaney? Posso! Vai no cruzeiro com a Agrado. Transforme o palco do cruzeiro no palco da rádio de anos atrás...
— Vai João Raul!
— Vou pensar e falar com a Agrado. Eu posso gravar?— João Raul aponta para o celular.
— Claro é sua! — João Raul e Palhares saem do salão do Zuzanete.
— Por que ele te chamou de mãe?
— Eu sou a mãe biológica dele.
— Vocês ainda guardam esse segredo?
— Sim.
— Não vou contar nada para o Ruaney. Fica tranquila.
— Você ainda fala com o Reginaldo?
— Eu não. Processei ele porque ele não estava me pagando. Ganhei o processo e não falei mais com ele.
— Será que você me ajuda a terminar uma música?
— Claro! Você fez para o João Raul?
— Para o pai biológico dele. Foi uma paixão avassaladora.
— O piloto...
— Como você sabe?
— Eu me apaixonei por você antes do Reginaldo.
— Pedro!
— Lilly, vocês terminaram e eu não tive coragem de me declarar. Aí apareceu o pai do Renan. E fui embora daqui para não ver... — Ele ameaça se levantar.
— Espera! Me conta como isso começou.
— Bem... lembra aquele dia que você cantou Love by Grace aqui no Meketrefe?
Na Alô Balada...
— Pai, eu estou preocupado com a Naiane.
— Agora você me entende, porque eu me preocupava mais com a sua irmã do que com você.
— Entendo. Fui muito egoísta naquela época.
— O dia que ela se casar de novo eu sossego. Agora que o João Raul sabe de tudo.
— Tudo o quê?
— Ele é o filho dela.
— E só agora que fico sabendo?!
No Studio da Talita...
— Talitinha.... Babado!
— Adoro! Conta!
— O Jacutinga é apaixonado pela Lilly Amaral desde a época que ela namorava o Reginaldo e seus teclados. Acabei de ouvir lá no Zuzanete.
— Eu já sabia.
— Como assim?
— O Jacutinga é meu padrinho. Uma vez perguntei por que ele não era casado. E ele me contou.
— Não sabia...
— Um dia ele disse que eu não posso ser como ele e esconder meus sentimentos.
— Ele está certo. Você criou uma casca dura envolta de você. Desde a época da escola. E tão difícil te arrancar um sorriso.
— Tino... Só você é meu amigo. Se eu te perder, o que eu faço? — Os dois se abraçam.
Na Mansão de Naiane...
— Mis o quê?
— Mis-en-place. Preparar as coisas para que eu cozinhe.
— O que a senhora precisa?
— Senhora, não. Mademoseille. Gael, está tudo aqui na listinha.
— A se... A Mademosê... me desculpa, mas eu não entendo francês.
— Pede para o celular traduzir. Está bem. — Ele tira a foto da receita e a IA transcreve e traduz para ele. Ele corta os legumes em cubinho.
Um tempo depois...
— Agora é só esperar assar. — Amelie sai da cozinha e Naiane entra.
— Naiane, essa sua chefe é folgada. Eu que fiz tudo.
— Ela está enganando a minha mãe? — Gael concorda com a cabeça. — Gael, vamos descobrir?
Continua...
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¹ Menino da Porteira - Sérgio Reis


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